sábado, 27 de fevereiro de 2010

Cinza Suspenso

Na madrugada, antes ainda do galo cantar, debruçava-se na soleira da janela. Muda. Sem estar completamente refeita, ainda catando os cacos de si, soltos, a deriva no chão e em cima das coisas inertes na sala, amarrava o nó de lágrimas na garganta. A garganta louca que antes gritava as palavras de rancor, as frases de arame farpado. Observava a cor do céu com certa complacência. O cinza, triste e denso, se parecia com a sua dor. Era exatamente da cor daquela angustia infinita.

Logo o dia veio... mas o sol, não.

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